Vi há muito pouco tempo (e adorei) o musical levado à cena no Teatro Maria Matos em Lisboa (encenado por Diogo Infante), pelo que estava com um certo "medo" de que estivesse condicionado por aquilo que já sabia que ia acontecer. No entanto, esse medo revelou-se completamente infundado, isto porque o espectáculo teatral difere bastante do filme, mantendo-se apenas as músicas que surgem entrelaçadas no enredo e o nome da personagem principal feminina (curiosamente, nem o nome da personagem masculina se mantém). Tudo o resto muda!
Pois é, este filme agradou-me bastante, apesar de não ter ficado completamente satisfeito com a cenografia no geral. É suposto a acção desenrolar-se em Berlim no início dos anos 30 e eu acho que em termos de adereços, maquilhagens, penteados, roupas e tudo o mais, isso não está muito bem conseguido. Especialmente quando as pessoas andam na rua ou quando aparece mesmo o interior do Kit Kat Club, cheirou-me tudo a anos 70 (década em que o filme foi feito).
No entanto, gostei bastante deste filme. Não sendo um daqueles que eu classifiquei com maior nota, é sem dúvida um dos que gostei mais de ver, talvez até pelas próprias temáticas tratadas: a ascenção do nazismo na Alemanha (é muito forte a imagem de um rapazinho da Juventude Hitleriana a cantar uma música de exaltação ao patriotismo germânico), o libertinismo sexual da República de Weimar e, especificamente, da cosmopolita Berlim (subtilmente abordado através da relação Sally-Brian-Maximilian), o crescente anti-semitismo, etc.
Este filme vale bastante a pena! Ainda para mais porque tem uma das melhores bandas sonoras de sempre. É impossível não dançar freneticamente ao som de "Two Ladies", ou então de trautear a trilingue "Willkommen, Bienvenu, Welcome... Fremde, Étranger, Stranger... Glücklich zu sehen, Je suis enchanté, Happy to see you... Bleib, Reste, Stay".
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