Diz o
artigo em Inglês da Wikipedia (ai Wikipedia, o que seríamos nós sem ti?) que em 1958
O Couraçado Potemkin foi considerado o melhor filme de todos os tempos. O mesmo artigo fala no facto de Eisenstein editar o filme de forma a identificarmo-nos com os rebeldes e sentirmos empatia com eles, ao contrário dos oficiais do couraçado e dos cossacos que chacinam a população de Odessa. De facto, pude comprovar isso mesmo: vi o filme hoje à tarde com a minha mãe e com a minha avó e foi curioso ouvi-las de vez em quando a dizer "olha, agora os maus vão matar os outros, eles é que deviam ser mortos" e outras coisas do género. E isso mesmo sem que a minha mãe tenha quaisquer convicções comunistas. Ao tratar-se claramente de um filme de propaganda comunista, assim se mostra igualmente que é um filme transversal e intemporal e que não deixa ninguém indiferente.
A sequência do ataque dos cossacos nas escadas de Odessa está carregada de dramatismo expressionista e de uma intensidade trágica incrível: as mulheres, com pintura carregada, abrem muitos olhos para que não tenhamos dúvidas que sofrem, uma criança alvejada e espezinhada ou ainda o carrinho de bebé que vai por ali abaixo sem parar. Muito bom.
No fim, fico com a sensação de que até gostei deste filme mais do que estava à espera (tenho alguma dificuldade em gostar de filmes mudos, cuja narrativa não é fluida e parece ter alguns buracos aqui e ali). Mas no fundo acho que é importante vê-los, quanto mais não seja para perceber o quanto se desenvolveu o cinema desde 1925 até hoje. E também para percebermos o que de melhor perdura na 7ª Arte e que resiste ao passar do tempo.
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