25 março 2009

A Clockwork Orange (1971) - Stanley Kubrick

Para começar, devo dizer que acho que fiz uma grande asneira... Foi ela: ler o livro antes de ver o filme. Já todos sabemos que uma adaptação cinematográfica fica sempre aquém do livro que lhe está na origem, mas como já tinha visto o resultado de The Shining (também realizado por Kubrick e que, quanto a mim, é bastante superior ao livro do Stephen King) estava realmente à espera de algo "horroróico" (quanto mais não fosse também pelos muitos elogios que são feitos a este filme). Acabei por ficar um pouco decepcionado e vou tentar explicar as razões por que isso aconteceu
Primeiro, não gostei nada desta visão futurista de Kubrick (que tanto me surpreendeu no 2001: A Space Odyssey)... Aliás, o filme até é mais ou menos inserido num determinado ponto da História quando o nosso irmão narrador fala no Durango-95. A opção de deixar em aberto a data em que aqueles acontecimentos se deram era bastante mais interessante a meu ver. Mas não é só isso: as roupas e a decoração das casas (exceptuando, talvez, a do escritor) fazem mais lembrar o mofo dos anos 60 do que a decadência totalitarista de um futuro incerto.
Segundo, Londres aparece-nos bastante limpinha, assim como o bloco de apartamentos onde vive o Alex (e mais tarde, até a prisão). Estava à espera de algo mais decadente, sujo, feio, mais de acordo com a maldade inconsequente e não reconhecida como imoral de uma juventude alienada.
Terceiro, compreendo que para a época em que estreou pela primeira vez o filme fosse violento, mas mesmo assim acaba por não captar a ultraviolência que nos surge no livro e que daria uma profundidade maior a tudo.
Quarto (e por último), tinha uma grande curiosidade em ver como é que Kubrick tinha conseguido juntar aquele mundo em que reina a desordem e a violência com a música de Ludwig van... e o resultado foi um pouco decepcionante. Não sei porquê, acho que a música não combina com as imagens (e, eventualmente aquela que talvez combinasse e que é referida no livro algumas vezes, não aparece uma única vez: a 5ª Sinfonia de Beethoven).
Enfim... Não é que não tenha gostado do filme; ficou apenas um pouco aquém daquilo que estava à espera, mas provavelmente isso deveu-se ao facto de ter lido o livro primeiro. Acho que valeu muito a pena vê-lo, mas gostaria que ele me tivesse arrebatado completamente. Com muita pena minha, isso não aconteceu.

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